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sexta-feira, 16 de julho de 2010

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Lembranças de Praia Brava

Na praia – 22 de fevereiro de 2011


Foi um belíssimo dia de sol e calor no Rio de Janeiro. Estava na praia, sentada numa cadeira alugada e ouvindo as músicas do aparelho celular enquanto a barraca, também de aluguel, desperdiçava sua sombra bem ao meu lado. Dias maravilhosos eu aproveitei nessa metade de semana.

Quase ninguém se via à minha volta, pois em plena terça-feira não é grande o afluxo de gente na praia do Recreio.

O mar foi um anfitrião e tanto. Limpo, na temperatura ideal, sem grandes ondas, fez questão de preparar um delicioso banco de areia, o que proporcionou uma espécie de piscina natural em que se podia relaxar. Além disso tudo, a cor da água impressionava. Havia perfeição, então.

Na areia, onde eu me tostava ao sol, a brisa não parava de soprar, fazendo as vezes de ventilador invisível.

A um simples gesto com a mão, a moça do quiosque vinha saber o que servir, e eu me embebedei de água de coco.

Fechei os olhos enquanto o sol e a brisa faziam seu trabalho.

Cheiro de maresia, gosto de sal, o vai-e-vem das ondas arrebentando na areia... tudo me levou de volta a Praia Brava, numa viagem de mais de 30 anos no tempo.

Ninguém que conheço jamais ouviu falar desse lugar. Um oásis de beleza e de tranquilidade encravado na Costa Verde e completamente desconhecido. Ficava no caminho para Mangaratiba, depois de Muriqui e antes de Ibicuí. Não me refiro àquela Praia Brava que fica em São Paulo, e que agora é conhecida como Brava Beach, com um empreendimento trilhardário no qual um pequeno apartamento custa, no mínimo, 600 mil reais, e o mais caro chega a meros 6 milhões de reais.

A nossa Praia Brava era o endereço da felicidade. Não havia televisão nem qualquer outro tipo de comunicação com o mundo. Uma grande tábua empenada de madeira nos servia como mesa de ping-pong, quando uma vassoura era colocada no meio, fazendo com que o seu cabo servisse como rede.

Minha avó era foreira de um terreno lá, no qual construiu uma pequena casa de um único quarto, sala, cozinha e banheiro. Ao redor desses quase 50 m2, uma varanda foi erguida.

As construções, como todas as demais naqueles 1.000 m de praia, eram ancoradas na areia, de sorte que, quando a gente abria a porta e saía da casa, já estava na praia, bastando dar uns 30 passos para pisar na água.

Lembrei de tudo.

Sempre íamos para lá nos meses de janeiro, desde 1965. No final dos anos 70 a casa foi vendida, para nossa total e inconsolável tristeza.

Naquele tempo nós não tínhamos carro, o que é impensável nos dias de hoje. Para chegar em Praia Brava, tínhamos que ir de trem, e isso é uma história bem interessante.

Fazíamos nossas malas com pouquíssimos itens, pois só havia um programa para fazer: ir à praia. Pegávamos um trem na Central do Brasil ou na estação ferroviária do Engenho de Dentro. Havia uma composição que tinha o nome de Litorina. Era um trem de um único vagão, às vezes dois, todo prateado, muito confortável. Não parava na estação de Praia Brava. Era um trem destinado a pessoas ricas. Não era o nosso caso.

Nosso trem era o Belo Antônio, ou Bel´Antônio, como a gente chamava. Um trem normal, azul e branco, que a gente pegava quando embarcava na Central do Brasil. Todavia, quando íamos pelo Engenho de Dentro, o trem era o “macaquinho”, todo de madeira, com bancos também de madeira, daqueles que o encosto do banco pode ser virado de um lado para outro. Completamente desconfortável e barulhento, o “macaquinho” era o nosso preferido. Lembro de ter visto vendedores de caranguejo nesse trem.

Outra forma de viajar para lá era de ônibus. Porém, a estrada (antiga Rio-Santos) passava no alto do morro, e a gente precisava descer pelo barranco carregando todas as tralhas.

Quem tinha carro também não conseguia descer até as casas, pois o estacionamento ficava em nível mais elevado que a estação do trem.

Não havia comércio de qualquer espécie em Praia Brava. Quando precisávamos comprar alguma coisa, fosse carne, leite ou uma pá de lixo, o jeito era esperar o trem e ir até Mangaratiba, o que era um programa fabuloso.

Eu tinha amigos lá. Pessoas que, assim como nós, tinham suas casas de veraneio na praia. Lembro de alguns nomes: Virgínia e Maurício eram irmãos e tinham uma casa belíssima na rua de trás; Rogério ficava umas três casas depois da minha; tinha a Denise e o Alexandre e respectivas casas também na rua de trás; os filhos do “engenheiro” ocupavam a casa mais bonita da praia. Dizem que o tio do Nélson Piquet tinha uma casa lá, mas nunca soube se o Dr. Piquet, do final da praia, era mesmo parente do piloto.

A maior alegria dessa turma era quando a mãe de alguém pedia para fazer compras. Nos reuníamos e partíamos para a estação de trem. Houve ocasiões em que fomos para a estrada para pedir carona de caminhões de carga. Sempre parava alguém, e a turma subia na caçamba para a viagem de alegria pura até a outra cidade. Impensável em dias atuais!

Quando conseguíamos pegar o “macaquinho”, gostávamos de ir passando de um vagão para outro, pulando por cima dos engates. Era bom demais ficar pendurados no vão gritando uns para os outros.

Naquela época eu lia as letrinhas pintadas na madeira dos vagões, no melhor estilo “velho oeste”, e não sabia o que significavam – RFFSA. A gente simplesmente gritava na estação – lá vem o “refesa”... Todo mundo grudava no chão da lage de concreto (a estação do trem) e ficava com a cabeça para fora querendo ver a máquina bem de frente, passando no estreito espaço cavado entre as escarpas. Tudo era impressionante e nada parecia perigoso.

Tudo era muito perigoso, mas nenhum de nós pensava nisso. Era só divertido.

Na praia, todas as tardes nosso vizinho, sr. João Sampaio, remava sua canoa mar adentro e esticava, de um ponto a outro, uma rede de arrastão. Esperava o sol cair por trás do morro a oeste e puxava, da sua embarcação, as pontas da tal rede. O povo vinha todo ajudar e garantir o jantar do dia. Os peixes, cocorocas, em sua maioria, eram limpos e preparados ali mesmo na areia. Tijolos faziam as vezes de churrasqueiras, e todo mundo que havia ajudado a lançar a rede, a puxar os cabos, ganhava sua porção de peixes, camarões e siris.

Uma vez vi um hipocampo lá nas linhas da rede. Entrei em desespero ao ver que aquele pequeno animal tão inofensivo e belo iria falecer ali, todo amarrado em linhas, numa armadilha que não era a sua.

Logo formávamos um batalhão de crianças insuportáveis, gritando e pisoteando a rede, puxando as mãos de nossos pais e vizinhos, implorando por ajuda para a criaturinha.

Em nossas atentas observações, jamais um cavalo-marinho perdeu inutilmente a vida nessas manobras. Salvamos todos.

O mais surpreendente de tudo isso é que, durante os horários de descanso da canoa (Jackeline lll), Seu João a emprestava para nós com remos e tudo, e nos deixava ficar remando de lá pra cá, com uns oito guris dentro. Eu sempre estava lá no meio. A canoa tentava heroicamente concluir seu trajeto na água, mas a gente não permitia. Queríamos, de fato, que ela virasse e que ficássemos todos respirando o pouco oxigênio que ficava preso no fundo da bicha. Quando acabava, saíamos de lá de baixo rindo tanto que engolíamos muita água de sal.

Era o tempo de levantar a Jackeline lll e nos lançarmos em nova aventura. Tudo até a hora de puxar o arrastão. Todos os dias. Todas as tardes.

Quanta saudade tenho dessa vida.

De repente volto para 2011, minha praia, a cadeira alugada, o sol e a brisa refrescante. Ainda de olhos fechados descubro quem me transportou para o passado feliz de Praia Brava. O vai-e-vem das ondas é o culpado. Fez-me lembrar de quando eu não tinha o costume de dormir ouvindo aquele barulho infindo, a onda que vai encontrando a que está voltando, ambas se misturando para formar uma outra, que também irá, e assim eternamente.


Inexplicavelmente esse som constante e suave incomodava meu adormecer. Contudo, o apito do trem na curva, gritando que chegava à nossa estação de Praia Brava, e seu nervoso deslizar sobre trilhos de aço, jogando de um lado para outro os vagões ligados por um engate, punha um sorriso no meu rosto todo. Logo eu dormia feliz com o trem, esquecendo, por momentos, o som cadenciado do mar.

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Neste espaço podemos conversar, contar histórias, fofocar, escrever de qualquer jeito - certo ou errado, não importa. Aqui vamos apreciar belas fotografias de pessoas, coisas e lugares.
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MÚSICA DA VEZ

TE AMO, BRASÍLIA - DE ALCEU VALENÇA


"Eu estava tão lobo nos bares da vida
Sangrava a ferida do meu coração

E uma doida dona, charmosa e tão linda

Com tudo de cima
me botou no chão
Qual é o seu nome?




Me chamo Brasília
Sabia que um dia ia te encontrar

Ela só queria, eu quase acredito,

Quebrar o meu mito e
me abandonar
Se teu amor foi hipocrisia

Adeus, Brasília,



eu vou morrer de saudade
Se teu amor foi hipocrisia,
adeus, Brasília,
Eu vou pra outra cidade

Agora conheço sua geografia
A pele macia, cidade morena

Teu sexo, teu lago, tua simetria
Até qualquer dia,
TE AMO, BRASÍLIA!".

Minha arte - uau!!!!

Minha arte - uau!!!!
Mar de Brasília: Quem diz que Brasília não tem mar nunca olhou para cima; nunca viu o azul luminoso e translúcido que ilustra e explica o exato conceito de infinito; jamais percebeu a silenciosa ondulação das nuvens que vêem de longe para explodir em exuberantes formas e cores sobre nós. E à noite, tantas estrelas mais parecem navios flutuando na escuridão das etéreas águas. Navios dos sonhos de tantos brasileiros que desaguaram neste cerrado e cultivaram os mais belos jardins no solo árido e vermelho. Acima, um mar de azul que ninguém olha, e, quando olha, não vê. No solo de terra viva, onde florescem realidades no que se convencionou chamar de seca, semi-árido ou deserto, brasilienses de nascimento e de escolha navegam as asas que a todos acolhem estendidas à direita e à esquerda, atravessadas por eixos de capital importância. Brasília dos eixos ou Brasília das asas, dos condomínios fechados como as vidas que abrigam, das indecifráveis mansões ou dos blocos JK, tão característicos quanto as próprias quadras. Mar de Brasília é seu céu; cidade do céu, Brasília é feita de asas e eixos no solo.

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